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Justiça e inteligência artificial: o futuro ganha espaço na abertura da Semana de Inovação

 Primeiro dia do evento apresentou o Átrium, ferramenta criada para auxiliar magistrados na análise de processos judiciais. Programação segue até sexta-feira (6), com palestras, oficinas e premiação de projetos inovadores.

Três homens estão sentados em poltronas durante um painel da 5ª Semana de Inovação do Poder Judiciário de Roraima. Um deles fala ao microfone, enquanto os outros dois o acompanham. Ao fundo, está projetada a identificação do evento.

 

Uma inteligência artificial desenvolvida dentro do próprio Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), capaz de analisar informações processuais e auxiliar o trabalho dos gabinetes de magistrados, foi o principal destaque da abertura da 5ª Semana de Inovação do Poder Judiciário de Roraima. O lançamento do Átrium ocorreu nesta quarta-feira, 4 de novembro, na Escola Judicial de Roraima (EJURR), e marcou o início de três dias de atividades dedicadas à tecnologia e à humanização da Justiça.

O desembargador Cristóvão Suter, presidente do Comitê de Inteligência Artificial, destacou que a nova ferramenta representa um avanço na modernização dos serviços judiciais, com potencial para tornar a análise dos processos mais ágil e contribuir para a qualidade das decisões.

“A utilização da tecnologia pode fazer com que os trabalhos sejam os mais fluidos e o resultado seja mais preciso e objetivo. E quem ganha com isso é justamente a população jurisdicionada”, afirmou.

 

Um homem de terno cinza e gravata roxa fala ao microfone, em pé, diante de um púlpito de madeira. Ao fundo, está projetada a identificação da 5ª Semana de Inovação e o anúncio do lançamento do projeto de inteligência artificial do TJRR.

 

Desenvolvido pela equipe de Tecnologia da Informação do TJRR, o Átrium funciona em uma plataforma web equipada com um sistema de inteligência artificial. Nesta etapa inicial, a ferramenta é voltada aos gabinetes dos magistrados e tem como principal funcionalidade a síntese processual, que permite reunir e organizar as informações mais relevantes de um processo judicial.

O secretário de Tecnologia da Informação, Gabriel Silveira, explicou que a proposta é facilitar a compreensão do histórico dos processos, oferecendo aos usuários uma visão das movimentações e dos acontecimentos registrados ao longo da tramitação.

“É mostrar para o usuário o que aconteceu ao longo daquele processo para que ele possa tomar uma decisão mais exata”, explicou.

Com uma interface intuitiva, a ferramenta foi concebida para auxiliar na análise que antecede decisões judiciais, incluindo sentenças e acórdãos. A expectativa é otimizar etapas de consulta e organização das informações, tornando mais eficiente o trabalho das equipes.

O lançamento integrou a programação da 5ª Semana de Inovação, que neste ano tem como tema “Tecnologia e Inovação: Entre Algoritmos e Empatia”. A edição também faz parte das celebrações pelos 35 anos do Tribunal e reúne magistrados, servidores, estudantes e profissionais interessados em discutir o uso responsável das novas tecnologias.

 

Primeiro dia reúne oficinas e debates

Antes do lançamento do Átrium, a programação de quarta-feira começou com atividades práticas voltadas à criatividade, à colaboração e à aplicação de novas tecnologias.

No Laboratório de Inovação (INOVAJURR), a oficina “Justiça além do Tribunal: Inovação Aberta” abordou possibilidades de cooperação entre o Judiciário e outras instituições para o desenvolvimento de soluções inovadoras. A atividade foi conduzida por Thiago Gontijo Vieira, coordenador de Projetos e Instrumentos de Cooperação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Durante a atividade, Thiago apresentou o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI), modalidade especial de contratação que permite aos órgãos públicos apresentar problemas e desafios para que empresas e profissionais proponham soluções, que podem ser testadas antes de uma contratação definitiva.

“O gestor público, ao invés de contratar a partir de uma solução específica, ele simplesmente apresenta qual é o problema, o desafio de inovação que está vivendo hoje no órgão e os resultados esperados”, explicou.

Um homem de terno azul apresenta uma palestra sobre inovação aberta e licitação CPSI para participantes sentados ao redor de mesas coloridas. Ao lado dele, uma tela exibe informações sobre o tema.

Segundo o coordenador, esse modelo permite identificar alternativas tecnológicas mais adequadas às necessidades das instituições, com potencial para reduzir custos, agilizar procedimentos e melhorar tanto as atividades administrativas quanto o atendimento à população.

Paralelamente, o Laboratório de Informática da EJURR recebeu três turmas da oficina de impressão 3D, realizada em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). A atividade aproximou os participantes de uma tecnologia utilizada na criação de objetos e protótipos.

No período da tarde, após a solenidade de abertura e a apresentação da inteligência artificial Átrium, a programação contou com a palestra “Inovação Aberta e Colaboração: Construindo a Justiça do Futuro Juntos”, também conduzida por Thiago Gontijo. O encontro discutiu a importância das parcerias entre instituições públicas, universidades e outros setores na busca por soluções para os desafios da Justiça.

 

Entre algoritmos e empatia

A escolha do tema desta edição também trouxe para o centro dos debates uma preocupação que acompanha o avanço da inteligência artificial: como aproveitar os benefícios da tecnologia sem perder a proximidade e a sensibilidade no atendimento às pessoas.

A coordenadora do Núcleo de Projetos e Inovação (NPI), Inaiara Sá, explicou que a programação foi estruturada para discutir justamente essa relação entre modernização dos serviços e valorização das relações humanas.

“Temos visto muita discussão sobre não perder a humanização, o olho no olho, apesar de toda a tecnologia que nós temos. A importância de ter um atendimento humanizado”, ressaltou.

Para a coordenadora, a quinta edição da Semana de Inovação também representa o amadurecimento de um trabalho construído ao longo dos últimos anos, com a participação de magistrados e servidores no desenvolvimento de projetos voltados à melhoria da prestação jurisdicional.

“Provamos o quanto a inovação pode ajudar no dia a dia do Tribunal. Então são mais de cinco anos trabalhando projetos, trabalhando inovação que melhoram o nosso trabalho da Justiça para que melhore também a vida da sociedade”, destacou.

 

Programação continua até sexta-feira

Dois participantes estão sentados diante de uma mesa, onde pequenos robôs são posicionados sobre uma pista. Uma mulher com colete azul do Poder Judiciário de Roraima acompanha a demonstração.

Nesta quinta-feira (5), a programação continua com oficinas de robótica, palestras sobre inteligência artificial e ética digital, apresentação dos projetos vencedores do 5º Prêmio de Inovação e a Batalha de Prompts, que desafia os participantes a explorar ferramentas de inteligência artificial.

A oficina de robótica será realizada em parceria com o AME, da Prefeitura de Boa Vista, aproximando os participantes de atividades práticas de tecnologia e inovação.

Na sexta-feira (6), o encerramento contará com debates sobre Justiça humanizada na era digital, oficinas práticas de inteligência artificial, apresentação de projetos premiados e o Encontro do Ecossistema Local de Inovação.

As atividades são gratuitas e acontecem na Escola Judicial de Roraima e no Laboratório INOVAJURR, com exposição de trabalhos acadêmicos e atividades interativas ao longo da programação.

 

 


 

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Texto: Mairon Compagnon - Jornalista
Fotos: NUCRI/TJRR
NOVEMBRO/2026 - NUCRI/TJRR

 

 

 

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