Etapa reuniu professores indígenas e antropólogos para verificar a fidelidade dos 250 artigos da Constituição Federal às línguas e aos contextos culturais dos povos Macuxi e Wapichana.

Durante três dias, professores indígenas das etnias Macuxi e Wapichana e antropólogos realizaram a revisão e a validação linguística dos 250 artigos da Constituição Federal. A atividade representa mais uma etapa do projeto de tradução da Carta Magna, desenvolvido pelo Poder Judiciário de Roraima.
O trabalho consistiu na análise do conteúdo traduzido, com o objetivo de verificar a adequação de termos e expressões às línguas e aos contextos culturais dos povos indígenas. A atividade ocorreu de 21 a 24 de outubro, na sede administrativa do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR).
A tradução do material foi realizada por reeducandos indígenas Macuxi e Wapichana da Cadeia Pública Masculina de Boa Vista, que participaram da versão dos textos constitucionais em suas línguas maternas.
Durante a fase de validação, a prioridade é garantir que o conteúdo seja compreendido pelas comunidades, explica o secretário-geral do TJRR, Hermenegildo Ataíde D’Ávila.
“Existem palavras que no português é uma coisa e quando traduz se torna outra. A validação é para isso, é fazer com que a Constituição seja traduzida de uma forma fidedigna e que seja entendida pelos povos indígenas com as línguas maternas”.

Para a tradutora da etnia Wapichana, Benedita André, participar desse processo é importante para ampliar o acesso das comunidades aos seus direitos.
“Para mim, está sendo muito importante porque o povo pode entender o macuxi, e Wapichana e assim outros povos vão entender sobre o seu direito”.
SOBRE O PROJETO
Conduzido, no âmbito do Poder Judiciário de Roraima, pelo vice-presidente do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) e supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), desembargador Almiro Padilha, o projeto é desenvolvido junto com o Núcleo de Projetos e Inovação em parceria com instituições e comunidades indígenas e tem como objetivo traduzir a Constituição Federal para as línguas Macuxi e Wapichana.
O trabalho é desenvolvido desde 2024 e busca contribuir para que os povos indígenas compreendam, em suas próprias línguas, os direitos e as garantias fundamentais previstos na Constituição. A iniciativa também valoriza as línguas originárias, a cultura e os conhecimentos tradicionais, aproximando o sistema de Justiça das comunidades indígenas de Roraima.
A previsão é que a Constituição Federal traduzida para Macuxi e Wapichana seja lançada entre novembro e dezembro de 2026.
Acessibilidade
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Texto :Emily Soares - Jornalista
Imagem: NUCRI/TJRR
SETEMBRO/2026 - NUCRI/TJRR


