Encontro reuniu estudantes e profissionais da Psicologia para discutir relações familiares, proteção e caminhos de atendimento diante de violações na infância.

As relações construídas durante a infância influenciam a forma como cada pessoa compreende o afeto, a segurança e o próprio lugar no mundo. Essas experiências foram debatidas durante o encontro “O mapa afetivo da infância”, organizado pela Liga Acadêmica de Estudos em Psicologia e Infância (LAEPSI), da Universidade Federal de Roraima (UFRR), na sexta-feira(18).
A programação começou às 8h30, no Auditório do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Fronteiras (PPGSOF), com a palestra “O que faz uma criança se sentir segura?”, conduzida pela psicóloga Aline Baí. A atividade abordou vínculos, limites e comunicação na construção de relações saudáveis.
Após um intervalo, o encontro seguiu, às 10h, com a palestra “E quando essa segurança é rompida?”, ministrada pela psicóloga e servidora da Coordenadoria da Infância e Juventude, Isabeau Cristina. A discussão tratou do reconhecimento das violações na infância, da conscientização sobre essas situações e dos caminhos que podem ser adotados diante delas.
Segundo Isabeau, o afastamento afetivo pode ocorrer de maneira gradual, quando as relações deixam de ser alimentadas, mesmo sem uma violência específica. A psicóloga também apresentou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apontam o crescimento dos casos de violência contra crianças e adolescentes nos últimos anos.
“É importante pensar sobre isso, compreender as causas e, principalmente, saber o que fazer e como funciona a rede de proteção da infância e da juventude”, explicou.
A palestrante destacou ainda que a violência nem sempre interrompe o vínculo entre a criança e a pessoa agressora. Em muitos casos, especialmente quando a violação acontece dentro de casa e envolve familiares ou pessoas próximas, os laços afetivos permanecem apesar do sofrimento causado. Nessas situações, é fundamental compreender que a existência do vínculo não diminui a gravidade da violência nem afasta a necessidade de proteção da criança ou do adolescente.
“Esses vínculos são muito mais complexos e possuem várias facetas. A violência pode ser uma delas. É preciso compreender essa complexidade e avaliar se o vínculo deve ser interrompido ou se é possível repensá-lo. Isso depende do tipo e do nível de violência envolvido”, afirmou Isabeau Cristina.
A discussão também destacou a importância da atuação articulada da rede de proteção e do trabalho desenvolvido pelo Tribunal de Justiça, especialmente por meio das equipes multiprofissionais. A análise individualizada dos casos permite considerar as particularidades de cada criança e de cada contexto familiar, contribuindo para a definição de medidas que priorizem a proteção e a garantia de direitos.
Acessibilidade
O site do TJRR oferece recursos de acessibilidade por meio do sistema Rybená, que facilita a navegação e a compreensão de conteúdos digitais por pessoas com deficiência. Para ativar essas funcionalidades, basta clicar em um dos ícones para utilizar as opções disponíveis no próprio portal.
Texto: Mairon Compagnon - Jornalista
Imagem: CIJ
SETEMBRO/2026 - NUCRI/TJRR


