
A aproximação entre o Judiciário e os povos indígenas está no centro do projeto “Dialogando em Rede”, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), por meio da Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ/TJRR). Entre setembro e novembro, a iniciativa promove cursos, capacitações, reuniões e encontros com lideranças indígenas e profissionais que integram a Rede de Proteção, com o objetivo de fortalecer a garantia dos direitos de crianças e adolescentes indígenas.
De acordo com o servidor da CIJ/TJRR, Josué Albuquerque, a proposta amplia a atuação do Judiciário para além da prestação jurisdicional.
“O Dialogando em Rede busca ir além, e aprimorar a proteção integral, destinada a crianças indígenas, não só sob os aspectos jurisdicionais, mas também sob os aspectos sociais e dos serviços públicos em gerais destinados a esse público”, explicou.
A iniciativa promove uma aproximação direta entre o Judiciário, as comunidades indígenas e os diferentes serviços que atuam na proteção de crianças e adolescentes. Entre as ações estão os cursos “A Aldeia e o Judiciário”, destinado a lideranças indígenas, e “A Interculturalidade da Proteção”, voltado a profissionais da Rede de Proteção. As atividades abordam os desafios do atendimento intercultural e a necessidade de construir estratégias que considerem as especificidades dos povos originários.
Para o Presidente da Ypassali Associação Yanomami, Renato Sanumá, acompanhado do mediador cultural e tradutor da Ypassali Associação Yanomami, Ademir Santos Lima, a construção das ações precisa ocorrer de forma conjunta com os povos indígenas.
“Eu fico pensando, tanto os indígenas quanto os não-indígenas, todos nós fechamos uma ideia, para que a gente possa ter algo para o futuro, então é preciso ser construído juntamente com a gente”, destacou.
O projeto também busca ampliar o conceito de Rede de Proteção, envolvendo não apenas os serviços socioassistenciais, mas também áreas como saúde, Justiça e as próprias organizações indígenas. Segundo o antropólogo das Varas da Infância e da Juventude de Boa Vista, Marcos Barbosa, essa articulação é fundamental para compreender a dimensão da rede no território.
“A rede não é só a rede socioassistencial estabelecida pelo estado, ela é muito mais extensa que isso, a gente tem aí o braço da saúde nos hospitais, o braço indígena da rede que são as organizações indígenas aqui no território”, afirmou.

Além das capacitações, o “Dialogando em Rede” mantém as reuniões do Conselho Interinstitucional Consultivo (CIC), espaço destinado ao acompanhamento das ações, discussão de demandas e definição de encaminhamentos. Os próximos encontros estão previstos para os dias 18 e 25 de setembro, dando continuidade às atividades desenvolvidas ao longo do projeto.
A programação segue até novembro, quando deverão ser apresentados os resultados da iniciativa. A proposta é consolidar o diálogo entre Justiça, povos indígenas e instituições da Rede de Proteção, para uma atuação articulada e intercultural na garantia dos direitos de crianças e adolescentes indígenas em Roraima.
Programação
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18/09 – 9h às 12h
3ª Reunião do Conselho Interinstitucional Consultivo (CIC)
Local: Auditório do Fórum da Cidadania (localizado na Avenida Glaycon de Paiva, 550, Área Central da Capital) -
25/09 – 9h às 12h
4ª Reunião do Conselho Interinstitucional Consultivo (CIC)
Local: Auditório do Fórum da Cidadania (localizado na Avenida Glaycon de Paiva, 550, Área Central da Capital) -
18/11 – 14h às 17h
Encerramento e apresentação dos resultados
Local: Auditório do Fórum da Cidadania (localizado na Avenida Glaycon de Paiva, 550, Área Central da Capital)
Acessibilidade
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Texto: Eduardo Haleks - Jornalista
Fotos: NUCRI/TJRR
SETEMBRO/2026 - NUCRI/TJRR


