
Em uma região marcada pela diversidade cultural, pelas grandes distâncias geográficas e por diferentes contextos de vulnerabilidade, ampliar o acesso de mulheres e meninas à informação, à saúde, à autonomia e aos mecanismos de proteção é um desafio que exige a atuação conjunta de diferentes instituições. Na Amazônia, essa articulação é ainda mais necessária para que mulheres em situação de vulnerabilidade conheçam seus direitos e encontrem atendimento adequado diante de situações de violência.
Em Roraima, essa discussão esteve em destaque durante o Seminário de Encerramento do Projeto Poderosas da Amazônia: Direitos, Autonomia e Saúde Sexual e Reprodutiva, realizado nesta quinta-feira (27), no Hotel Aipana Plaza, em Boa Vista. O Tribunal de Justiça de Roraima participou da programação por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, representado pela juíza Liliane Cardoso, titular do Terceiro Juizado de Violência Doméstica da Capital.
Segundo a juíza Liliane Cardoso, a parceria contribuiu para o atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, especialmente no primeiro atendimento.
“O fornecimento de capacitação e também profissionais da saúde, nesse primeiro atendimento nas ocorrências de violência doméstica, a parceria foi importante porque pôde dar esse atendimento e fornecer essa mão de obra e auxiliar no combate à violência doméstica e das vítimas dessas violências que se apresentaram no Tribunal de Justiça de Roraima.”

A programação reuniu representantes do poder público, organismos internacionais, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias para apresentar resultados e discutir ações relacionadas aos direitos das mulheres, à saúde sexual e reprodutiva e ao enfrentamento à violência baseada em gênero.
A participação da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar também ocorreu no Painel 3- Rede de Proteção e Enfrentamento à Violência Baseada em Gênero. Representando o Tribunal de Justiça de Roraima, Fabiana Lima, psicóloga e assessora técnica da Coordenadoria, participou das discussões sobre a atuação integrada dos serviços que integram a rede de proteção.
Durante o evento, a chefe do escritório do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil em Roraima, Patrícia Ludmila Melo, destacou a importância do acesso à informação para que mulheres e meninas possam tomar decisões sobre suas próprias vidas.
“A gente entende que esse projeto, a partir do compromisso ético que a gente firma hoje no encerramento deste ciclo, a gente vai conseguir colher frutos melhores, mas na garantia do processo decisório que cabe a cada mulher e menina, e que elas possam a partir das informações recebidas, elas tenham a possibilidade de consentir o que fazer com suas próprias vidas.”
O Ministro Conselheiro da Embaixada da França no Brasil, Brice Fodda, também destacou a importância da cooperação na defesa dos direitos das mulheres. Segundo ele, a diplomacia feminista francesa atua na defesa dos direitos e das liberdades universais.
“Nossa diplomacia feminista atua como uma voz ativa na defesa dos direitos e liberdades universais, combatendo a premissa de que os direitos das mulheres e das minorias seriam culturais. Se fundamenta no diálogo, na cooperação, no compartilhamento de experiências e no fomento à participação feminina nos processos decisórios e no combate fielmente a todas as formas de violência contra as mulheres.”
A programação incluiu ainda painéis sobre cooperação internacional e direitos das mulheres, saúde sexual e reprodutiva e a atuação de organizações da sociedade civil e mulheres que atuam em suas comunidades na Amazônia. Participaram representantes do Governo de Roraima, da Prefeitura de Boa Vista, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, da Embaixada da França, do Fundo de População das Nações Unidas, da Voz Migrante e de organizações da sociedade civil.
Reconhecimento ao Tribunal de Justiça de Roraima

Um dos momentos de destaque do seminário foi a Cerimônia de Reconhecimento – Selo do Fundo de População das Nações Unidas, realizada ao final da programação. O reconhecimento foi destinado aos parceiros que participaram das ações desenvolvidas pelo Projeto Poderosas da Amazônia em Roraima.
Entre as instituições reconhecidas esteve o Tribunal de Justiça de Roraima. A juíza Liliane Cardoso recebeu o selo em nome da instituição, em cerimônia que reuniu representantes das organizações parceiras da iniciativa.
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Texto: Eduardo Haleks - Jornalista
Fotos: NUCRI/TJRR
AGOSTO/2026 - NUCRI/TJRR


