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Conferência destaca trajetória de 20 anos da Justiça Comunitária em Roraima

 

O Programa Justiça Comunitária do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) iniciou, nessa segunda-feira (8), as comemorações pelos 20 anos de atuação com a realização da II Conferência de Justiça Restaurativa nas Escolas.

O evento ocorreu no Fórum Cível Advogado Sobral Pinto e reuniu magistrados, servidores, profissionais da educação, estudantes e representantes da sociedade para discutir os desafios da Justiça Restaurativa no contexto escolar.

A programação integra uma série de atividades voltadas ao fortalecimento da cultura de paz, à resolução consensual de conflitos e à promoção de práticas restaurativas em ambientes educacionais e comunitários.

Durante a abertura do evento, a presidente do Programa Justiça Comunitária, juíza Graciete Sotto, destacou a importância das ações desenvolvidas ao longo dessas duas décadas de trabalho.
Segundo a magistrada, o programa ampliou sua atuação para além da resolução de conflitos, promovendo círculos restaurativos, comunicação não violenta, círculos de paz e a formação de líderes da paz entre adolescentes e estudantes.

“É um atendimento humanizado, pensando na pessoa e no jurisdicionado. Acima de tudo, trabalhamos com adolescentes pensando nesse jovem na fase adulta, com outro olhar e outra perspectiva, buscando sempre a pacificação social”, ressaltou.

A juíza também enfatizou a capacidade de adaptação do programa às transformações sociais ocorridas ao longo dos anos.

 

“Quando começamos, não havia muitos referenciais. Fomos construindo esse caminho por meio de grupos de estudo e da prática. Durante a pandemia, por exemplo, tivemos que adaptar nossas ações e passamos a trabalhar ainda mais a comunicação não violenta, especialmente diante dos desafios do ambiente virtual”, explicou.

A coordenadora do Programa Justiça Comunitária, Marcelle Wottrich, destacou que o evento também representa uma oportunidade para apresentar à sociedade os resultados alcançados ao longo dos últimos 20 anos.

“Queremos mostrar como o programa tem atuado nas escolas e instituições, os públicos que atende e a trajetória construída ao longo dessas duas décadas. É uma oportunidade de reforçar a importância da parceria entre educação e justiça e de ampliar essa rede de colaboradores em favor da cultura de paz”, afirmou.

 

Um dos destaques da conferência foi a palestra da educadora e pesquisadora Petronella Boonen, doutora em Sociologia da Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e referência nacional na área da Justiça Restaurativa. Em sua apresentação, ela abordou os desafios da implementação das práticas restaurativas no ambiente escolar.

Para a especialista, a principal mudança necessária é a substituição de uma lógica exclusivamente punitiva por uma perspectiva comunitária e restaurativa.

“A Justiça Restaurativa nos convida a conviver com os conflitos e a construir coletivamente formas de responsabilização. Excluir ou apenas punir não resolve o problema, porque os sentimentos gerados pelo conflito permanecem na comunidade. É preciso enfrentar essas questões por meio do diálogo e da corresponsabilidade”, afirmou.

A educadora destacou que a Justiça Restaurativa propõe uma mudança de paradigma na forma como os conflitos são compreendidos dentro das instituições de ensino. Segundo ela, em vez de enxergar o conflito como algo que deve ser eliminado, é necessário transformá-lo em uma oportunidade de aprendizagem e crescimento coletivo.

 

 

“A escola precisa deixar de ver o conflito apenas como um problema a ser afastado e passar a compreendê-lo como uma ferramenta pedagógica. Isso exige diálogo, paciência e disposição para lidar com o desconforto que faz parte dos processos de convivência.”, afirmou.

A estudante Sunamita Martins, do 9º ano da Escola Estadual Militarizada Professor Camilo Dias, destacou a importância das ações desenvolvidas pelo Programa Justiça Comunitária para a convivência dentro da escola.

“Participar dessas atividades nos ajuda a compreender melhor os sentimentos das outras pessoas e a resolver os conflitos por meio do diálogo. Isso faz diferença no nosso dia a dia e melhora a convivência entre os alunos”, afirmou.

Durante o evento, também foram certificadas escolas parceiras que desenvolvem ações alinhadas aos princípios da Justiça Restaurativa e da cultura de paz.

 

 

Receberam a certificação a Escola Estadual General Penha Brasil, Escola Estadual Lobo D'Almada, Escola Estadual Euclides da Cunha, Colégio Estadual Militarizado Carlos Drummond de Andrade, Colégio Estadual Militarizado Professor Camilo Dias, Escola Estadual Antônio Ferreira de Souza, Escola Estadual Girassol, Escola Estadual Professora Maria Neves Rezende, Escola Estadual Fagundes Varela, Escola Estadual Dr. Ulysses Guimarães, Escola Estadual Senador Hélio da Costa Campos, Escola Estadual Mariano Vieira, do município de Normandia, Colégio Militarizado Professora Antônia Tavares da Silva, do município de Rorainópolis, e o Colégio Claretiano.

As comemorações pelos 20 anos do programa continuam nos dias 9 e 10 de junho com a Formação para Facilitadores e Instrutores em Justiça Restaurativa, destinada a magistrados, servidores públicos e membros da comunidade interessados em atuar na promoção do diálogo e da resolução pacífica de conflitos.

Ao completar duas décadas de atuação, o Programa Justiça Comunitária reafirma seu compromisso com a construção de relações mais harmoniosas, fortalecendo iniciativas que contribuem para a formação de ambientes escolares mais acolhedores, inclusivos e pacíficos.

 

 


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Texto: Emily Soares - Jornalista / Juliana Soares- Estagiária de Jornalismo
Fotos: NUCRI/TJRR
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