Plano de Logística Sustentável orienta metas, monitora indicadores e aproxima práticas ambientais da rotina institucional e da sociedade

A sustentabilidade no Judiciário vai além da preservação ambiental. Ela envolve planejamento, uso responsável dos recursos públicos, transparência nos dados, qualidade de vida, responsabilidade social e mudança gradual de hábitos dentro da rotina institucional. No Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), esse compromisso tem sido conduzido por meio do Plano de Logística Sustentável, o PLS, que organiza metas, indicadores e iniciativas voltadas à construção de uma Justiça mais eficiente e consciente.
Acompanhado pela Comissão Gestora do Plano de Logística Sustentável e pelo Setor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social, o PLS orienta ações relacionadas ao consumo de papel, energia elétrica, água, combustíveis, resíduos sólidos, emissões de gases de efeito estufa, contratações, qualidade de vida, equidade, diversidade e novas tecnologias.
Para a desembargadora Elaine Bianchi, presidente da Comissão Gestora do PLS, a sustentabilidade no Judiciário deve ser compreendida de forma ampla, como parte da responsabilidade institucional com o meio ambiente, os recursos públicos e a continuidade dos serviços prestados à população.
“Quando a gente fala em sustentabilidade, a gente pensa logo em floresta, animais e água, mas isso é muito além. Quando o Tribunal adota o Plano de Logística Sustentável, nós estamos entendendo que cada folha de papel economizada, cada quilowatt de energia que deixamos de consumir e cada destinação correta de resíduos contribuem para a nossa atividade-fim, que é a prestação da Justiça”, afirmou.
Entre os avanços apresentados no PLS, o consumo de papel caiu de 2.536 resmas em 2024 para 2.182 em 2025. O resultado está associado à ampliação de ferramentas digitais, como a Central Eletrônica de Mandados, e às campanhas de sensibilização voltadas ao consumo consciente.
Na área de energia limpa, o TJRR também registrou desempenho expressivo. Em 2025, foram injetados 1.056.791 kWh de energia solar na rede, com economia estimada em R$ 457.605,70 para a instituição. O investimento em geração fotovoltaica integra as estratégias de redução de custos e de descarbonização, em alinhamento ao Programa Justiça Carbono Zero, que busca neutralizar as emissões de carbono no Poder Judiciário até 2030.

A gestão de resíduos também apresentou crescimento. A destinação correta de materiais eletroeletrônicos passou de 3.607 kg em 2024 para 5.221 kg em 2025. Já a coleta de pilhas e baterias subiu de 455 kg para 1.589 kg no mesmo período.
Segundo a chefe do Setor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social, Paloma Souza, o monitoramento dos indicadores permite identificar avanços, corrigir rotas e planejar novas medidas.
“O cumprimento da Resolução 594/2024 do CNJ exige que o Tribunal neutralize suas emissões de CO₂ até 2030. Isso demanda ações urgentes, como o investimento em energia solar e frotas sustentáveis, como carros elétricos ou híbridos”, destacou.
Para ampliar a transparência, o TJRR lançou o Painel de Sustentabilidade, ferramenta disponível no site institucional que permite o acompanhamento de dados de consumo, redução de custos e evolução das metas ambientais. A plataforma reúne informações em gráficos e facilita o acesso do público interno e externo aos indicadores do PLS.
Confira o portal da Sustentabilidade: https://sustentabilidade.tjrr.jus.br/in%C3%ADcio
Mas a sustentabilidade no Judiciário roraimense também se manifesta fora dos relatórios. Ao longo do ano, o Tribunal promove feiras de produtos orgânicos, artesanato, livros, cultura afro-indígena, povos originários, gastronomia regional e economia criativa. As iniciativas aproximam servidores, produtores locais, artistas, empreendedores e comunidade externa, criando espaços de convivência, inclusão e valorização cultural.

A agenda socioambiental também inclui a Blitz Sustentável, que percorreu unidades do interior com orientações sobre consumo consciente, uso racional de água e energia, controle de temperatura de centrais de ar-condicionado, descarte correto de resíduos e recolhimento de materiais eletrônicos sem uso.

No Complexo Sociocultural, o curso “Compostagem na prática” ensinou servidores ativos, aposentados e terceirizados a transformar resíduos orgânicos em adubo natural, com aproveitamento da borra de café recolhida nos setores do Tribunal. A iniciativa também resultou na implantação de composteiras utilizadas pelo próprio Judiciário para a produção de composto orgânico destinado aos espaços verdes da instituição. Além da aplicação prática, a capacitação permitiu que os participantes aprendessem técnicas de compostagem que podem ser reproduzidas em suas residências, ampliando o alcance da ação para além do ambiente de trabalho.
Para Paloma Souza, o trabalho também busca transformar a relação de magistrados, servidores, colaboradores e estagiários com as práticas sustentáveis no ambiente institucional.
“A missão da Comissão Gestora do Plano de Logística Sustentável não é só cumprir indicadores. Nós queremos que a cultura da sustentabilidade e da responsabilidade social esteja cada vez mais presente no Tribunal, em cada magistrado, servidor, colaborador, estagiário e também na comunidade”, destacou.
Para a desembargadora Elaine Bianchi, o PLS representa uma forma de planejar o presente com responsabilidade e preparar o Judiciário para os próximos anos.
“Trabalhar o Plano de Logística Sustentável é também um planejamento do presente com o olhar voltado para o futuro. A gente precisa entender que estamos trabalhando hoje para garantir que continuemos a trabalhar amanhã”, completou.
Com dados, planejamento, transparência e participação coletiva, o Plano de Logística Sustentável consolida uma política institucional voltada ao futuro. No cotidiano do Judiciário roraimense, pequenas atitudes passam a gerar impactos concretos na gestão pública, no meio ambiente e na construção de uma Justiça mais responsável com as próximas gerações.
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Texto: Mairon Compagnon - Jornalista
Fotos: NUCRI/TJRR
MAIO/2026 - NUCRI/TJRR


