
A arte, a literatura e a cultura urbana se encontraram para promover reflexão, criatividade e novas oportunidades aos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas durante a 5ª edição do Caminhos Literários, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em 2026, o projeto tem como tema "Resistir em batida, verso, corpo e traço", reconhecendo a cultura hip-hop como instrumento de educação, inclusão, fortalecimento da cidadania e valorização das diferentes formas de expressão artística.
Em Roraima, as atividades contaram com o apoio do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), da Biblioteca Judiciária e do Projeto Leitura Abre Portas, em parceria com as equipes da Unidade de Semiliberdade e do Centro Socioeducativo (CSE), no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o TJRR e a Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes).
Como parte da programação, o Projeto Leitura Abre Portas promoveu, nos dias 1º e 2 de julho, oficinas de grafite na Unidade de Semiliberdade e no Centro Socioeducativo (CSE). As atividades garantiram a participação de 100% dos adolescentes atendidos pelas duas unidades socioeducativas, ampliando o acesso à cultura e fortalecendo o processo socioeducativo por meio da arte.
Ao longo das oficinas, os participantes conheceram a história do grafite, suas técnicas e sua relação com a cultura hip-hop, além de transformarem ideias, experiências e sentimentos em manifestações artísticas. A atividade valorizou a criatividade, a autoestima, o protagonismo juvenil e o trabalho coletivo, incentivando os adolescentes a enxergarem novas possibilidades para suas trajetórias.

A programação da 5ª edição do Caminhos Literários também incluiu uma oficina de noções de comunicação, mediado pelo servidor Orib Ziedson da CGJ, que resultou na produção do videocast Cria Caminhos, material que integrará a programação nacional do projeto promovido pelo CNJ. Os adolescentes ainda participaram da gravação de um clipe musical que representará Roraima na Mostra Cultural do evento.
As atividades proporcionaram experiências em comunicação, produção audiovisual, música e artes visuais, incentivando o desenvolvimento de habilidades, a expressão de sentimentos e o fortalecimento da autoestima. Ao criar espaços para que os adolescentes contem suas histórias, desenvolvam seus talentos e participem de produções culturais, o projeto contribui para o processo de ressocialização e amplia as oportunidades de aprendizagem e construção de novos projetos de vida.

Segundo a bibliotecária do TJRR e integrante do Projeto Leitura Abre Portas, Madrice Cunha, a oficina integra as ações desenvolvidas pelo Tribunal em apoio ao Caminhos Literários e proporciona aos adolescentes experiências que ampliam o repertório cultural e estimulam novas formas de aprendizado.
"Hoje está acontecendo aqui a oficina de grafite para os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. Essa atividade faz parte do 5º Caminhos Literários do CNJ e traz cultura para esses adolescentes. Nós, do Leitura Abre Portas, estamos apoiando essa ação e percebemos a importância de estar presentes e contribuir com atividades que promovam cultura e novas oportunidades para esses jovens."
Para a coordenadora estadual das Políticas Socioeducativas de Roraima, Carmen Oliveira, iniciativas como essa ampliam as possibilidades de desenvolvimento dos adolescentes e contribuem para o processo de ressocialização.
Ao reunir literatura, grafite, música, comunicação e produção audiovisual, o Caminhos Literários reafirma a importância da cultura como ferramenta de transformação social. Em Roraima, o trabalho desenvolvido pelo TJRR, por meio do Projeto Leitura Abre Portas, demonstra como a atuação integrada entre instituições fortalece a socioeducação e cria oportunidades para que adolescentes desenvolvam talentos, ampliem seus horizontes e construam novas perspectivas para o futuro.
"Eles têm aqui a oportunidade de conhecer novas atividades, novos mundos. Conseguem desenvolver a criatividade usando isso para a melhoria deles. Com projetos como esse, a gente consegue ressocializar muitos desses adolescentes. Então é de suma importância para o sistema socioeducativo."
Responsável pela oficina, o artista Ricardo "Ricks" Aguiar destacou que o grafite vai além do aprendizado técnico e se transforma em um espaço de diálogo, troca de experiências e crescimento mútuo.
"À medida que eu passo não só técnicas de grafite, a gente passa também vivências e comportamento humano. E, à medida que eu vou ensinando, eu vou aprendendo também com as experiências deles. Para mim é muito importante e acredito que para eles, para a instituição e para todos que estão envolvidos aqui também é".

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Texto: Maurício Fernandes - Jornalista
Imagem: Nucri/TJRR
JULHO/2026 - NUCRI/TJRR


