
O Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) promoveu a roda de conversa “Vivência com as Plantas”, reunindo pesquisadores, especialistas e a comunidade para debater a riqueza e o potencial da biodiversidade amazônica. Integrada às ações do 2º Mês do Meio Ambiente, promovidas pela Comissão de Gestão do Plano de Logística Sustentável (CGPLS), a atividade ocorreu no dia 26 de junho e promoveu um intercâmbio direto entre o conhecimento científico e as práticas tradicionais herdadas por gerações.
Essa aproximação cumpre o papel fundamental de conectar o Judiciário às pautas de sustentabilidade prática no cotidiano. Durante a abertura do diálogo, a vice-presidente da CGPLS, juíza Dra. Graciete Sotto Mayor, reforçou a identidade ecológica da instituição.
“Tivemos representantes de servidores que são conhecedores, profissionais ligados à ciência mostrando o conhecimento técnico e a representação dos povos originários. Para que o TJRR seja realmente um 'Tribunal Verde', as ações de consciência e de responsabilidade social fazem parte da rotina”, destacou.

Além dos painéis de discussão, o evento contou também com a Feira de Sustentabilidade e Empreendedorismo, espaço que reuniu expositores locais para impulsionar a comercialização de produtos ecológicos e artesanais. Uma das empreendedoras presentes destacou a importância desse incentivo institucional. "É super importante para que a gente possa estar divulgando o nosso trabalho e conhecendo também o trabalho de outras pessoas, além de ter uma renda extra", afirmou.
Saberes ancestrais e identidade amazônica
Dando voz a representação dos povos originários, a empreendedora e indígena Macuxi, Tatiana Peixoto, compôs a roda de conversa e ressaltou a importância de debater a temática sob a perspectiva regional. Para ela, o resgate dessas práticas fortalece diretamente a identidade local.
“É importante porque traz essa relação com o meio ambiente, a biodiversidade, a cultura, os povos e a questão da nossa região, que é a Amazônia. É a valorização, o conhecimento, os saberes, energias e a saúde para a vida”, afirmou Tatiana.
Além de destacar a saúde e a cultura, Tatiana também abordou o consumo e o manejo das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) sob a perspectiva e vivência indígena.
Esse debate sobre o aproveitamento de recursos locais e segurança alimentar também foi um dos pilares defendidos pelo botânico e professor Ricardo Perdiz, que apontou as PANCs como saídas viáveis para a redução da fome mundial.
“O Estado de Roraima tem um potencial muito grande; nós temos cerca de 300 espécies já catalogadas. Essa atividade é uma oportunidade de a gente aprender mais sobre essas plantas, entender como utilizá-las e passá-las como alimento no dia a dia para a nossa população”, defendeu o botânico.
Encontro entre a ciência e a tradição
A troca de experiências também abriu espaço para relatos práticos sobre o uso terapêutico e caseiro da vegetação nativa, demonstrando como costumes tradicionais, como os banhos de ervas, continuam vivos e sendo passados para os mais jovens.
Complementando esse saber prático e tradicional com o embasamento acadêmico, o panorama científico e as pesquisas de campo foram apresentados pelo professor Dr. Diego Lima de Souza Cruz, do curso de Agronomia da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Ele compartilhou os estudos realizados com plantas nativas do lavrado roraimense, detalhando as suas propriedades, e celebrou o encontro entre a academia e o saber tradicional.
“Existe um conhecimento ancestral que precisa ser resgatado. Esse contraponto do que foi produzido pela ciência com o que já é tradicionalmente usado foi muito proveitoso. Espero que a discussão desperte nas pessoas a consciência ecológica para essas plantas que, às vezes, são consideradas apenas 'mato' na calçada, mas que têm grande importância medicinal ou alimentícia”, explicou o agrônomo.

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Texto: NUCRI/TJRR
Fotos: NUCRI/TJRR
JULHO/2026 - NUCRI/TJRR


