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Vídeos em idiomas indígenas e espanhol ampliam acesso à informação sobre violência doméstica em abrigos de Boa Vista

Reunião com várias mulheres sentadas em volta de uma mesa, discutindo assuntos com documentos e um computador. No fundo, há janelas grandes e uma tela com o logo do Poder Judiciário do Estado de Roraima.

Mulheres migrantes e indígenas acolhidas em abrigos de Boa Vista passaram a ter acesso a vídeos informativos sobre violência doméstica produzidos em seus próprios idiomas. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Ouvidoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça de Roraima e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o objetivo de ampliar o acesso à informação e à rede de proteção destinada às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Os materiais começaram a ser exibidos nos espaços de acolhimento e abordam temas relacionados à violência doméstica, aos direitos das mulheres e aos canais de denúncia. A ação busca garantir que essas informações cheguem de forma acessível às comunidades migrantes e indígenas atendidas nos abrigos.

De acordo com a chefe do Setor de Atendimento à Mulher da Ouvidoria-Geral de Justiça, Haline Barreto, discutir a violência doméstica é essencial em todos os espaços.

“A Ouvidoria-Geral de Justiça, por meio do Setor de Atendimento à Mulher, desenvolve diversas ações sobre esse tema. Entendemos que precisamos falar cada vez mais sobre violência doméstica, independentemente do local, porque não sabemos onde ela acontece.”

Haline também destaca a importância de levar esse diálogo aos espaços de acolhimento.

“Sabemos que os abrigos recebem um número elevado de mulheres em situação de vulnerabilidade e que muitas delas já vivenciaram situações de violência.”

Grupo de mulheres sorridentes posando com certificados em um ambiente de trabalho, com paredes decoradas e materiais de escritório visíveis ao fundo.

Os vídeos apresentam, de forma simples e acessível, informações sobre os direitos assegurados pela Lei Maria da Penha e os canais disponíveis para denúncia. O material foi produzido em espanhol e nas línguas indígenas kariña e Warao, contribuindo para reduzir barreiras linguísticas e culturais e ampliar o acesso à informação.

A assistente sênior de proteção do ACNUR, Débora Fontoura, destacou a importância da parceria entre as instituições.

“Ficamos extremamente felizes com o convite da Ouvidoria do Tribunal de Justiça de Roraima para cooperar nessa aproximação com a comunidade e adaptar o material de prevenção à violência baseada em gênero, de forma que ele alcance pessoas refugiadas e migrantes, indígenas e não indígenas, que vivem em Roraima.”

Além de colaborar na produção dos materiais, o ACNUR também apoia a divulgação dos vídeos nos espaços de acolhimento. O conteúdo será exibido em televisores instalados nos abrigos e disponibilizado nos canais da Ouvidoria-Geral de Justiça, do Tribunal de Justiça de Roraima e das instituições parceiras.


Reunião em sala com várias pessoas assistindo a uma apresentação em tela, que tem uma mulher falando com natureza ao fundo e intérprete de Libras no canto direito do vídeo.

A participação de mulheres indígenas no processo de tradução representa outro importante avanço para ampliar o acesso à informação e à justiça. Ao colaborar na adaptação do conteúdo para a língua Warao, Yumelis Maritza Lopez contribuiu para aproximar as orientações de sua comunidade.

“Para mim, isso é muito importante porque mostra a diversidade de idiomas e permite compartilhar mais conhecimento com outras mulheres.”

Mais do que traduzir idiomas, a iniciativa busca tornar os direitos mais acessíveis, permitindo que mulheres migrantes e indígenas tenham acesso a informações sobre prevenção, proteção e enfrentamento à violência doméstica. Ao respeitar as diferenças culturais e linguísticas, a ação amplia o alcance da rede de proteção e assegura que a informação chegue a quem mais precisa.


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Texto: Beatriz Evangelista - Jornalista
Fotos: NUCRI/TJRR
JULHO/2026 - NUCRI/TJRR

 

 

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