
A leitura como instrumento de transformação, diálogo e ampliação de perspectivas para adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. Com essa proposta, adolescentes da Unidade de Semiliberdade de Boa Vista participaram de um encontro virtual com a escritora Paty Wolff, autora da obra Azul Haiti.
A atividade integra o Clube de Leitura Cria das Letras, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), desenvolvida por meio do programa Fazendo Justiça, em parceria com a Companhia das Letras.
Em Roraima, a ação contou com apoio da Escola Judicial de Roraima (EJURR), em conjunto com o Projeto Leitura Abre Portas, executado pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) e pela Biblioteca Judiciária. O encontro reuniu adolescentes da Unidade Socioeducativa de Semiliberdade e de outros estados em um momento de troca sobre literatura, identidade, migração e experiências de vida abordadas no livro.

Antes da conversa com a autora, os participantes passaram por uma dinâmica de acolhimento conduzida por Marcelle Grécia da Silva Nogueira Wttrich do Progrma Justiça Comunitária, com abordagem temática da obra trabalhada durante os encontros do clube de leitura.
A servidora da Biblioteca do Judiciário, Madrice Cunha, destacou que o projeto já ocorre em Roraima desde 2025 na unidade de internação e, neste ano, foi ampliado para a Unidade de Semiliberdade.
“Aqui em Roraima, o clube já acontece desde 2025 na unidade de internação com os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. Na Unidade de Semiliberdade, o projeto começou este ano. O primeiro livro trabalhado foi Azul Haiti e, hoje, os adolescentes têm esse encontro com a autora Paty Wolff, discutindo temas relacionados à migração haitiana para o Brasil”, explicou.
Atividades Práticas e Conexão Local

Na Unidade de Semiliberdade, os encontros com os participantes do Clube são semanais, ocorrendo as terças e quintas-feiras, mediados por agentes socioeducativos. Além da leitura e de momentos de reflexão sobre as obras literárias, as atividades incluem ações práticas inspiradas nos temas abordados.
Neste primeiro livro trabalhado, Azul Haiti, os participantes produziram objetos com papelão — elemento que marca a identidade visual do livro e remete ao trabalho informal de catadores de recicláveis, temática presente na narrativa e também realizaram pesquisas e elaboraram um quadro comparativo entre os processos migratórios do Haiti e da Venezuela, analisando os fatores que motivaram a saída das populações de seus países de origem e analisando como essa realidade se para o estado de Roraima, que é o principal cenário de acolhimento desses fluxos no Brasil.
O assistente técnico do programa Fazendo Justiça, Alisson Messias, explicou que o Cria das Letras surgiu inicialmente como projeto-piloto em quatro estados brasileiros, entre eles Roraima, e atualmente já alcança oito estados.
“O projeto surge com a proposta de fomentar a leitura dentro das unidades socioeducativas, tanto de semiliberdade quanto de internação, levando cultura e criando espaços de diálogo por meio da literatura. Os clubes de leitura acontecem semanalmente e, a cada mês, uma obra é trabalhada com os adolescentes. Hoje, além do clube, os jovens têm a oportunidade de conversar diretamente com a autora da obra lida”, afirmou.
Após o encontro virtual, os adolescentes também conheceram os estúdios da Escola Judiciária, em uma visita guiada por servidores responsáveis, o que possibilitou o contato direto com uma estrutura moderna e os espaços de produção audiovisual da instituição, proporcionando uma vivência tecnológica inédita em suas trajetórias.

O Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) integra as ações do clube por meio do Projeto Leitura Abre Portas, iniciativa voltada ao incentivo à leitura e às expressões culturais no sistema socioeducativo do estado, desenvolvido em parceria com a Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) desde 2023. A união de esforços reforça o fortalecimento das práticas pedagógicas e culturais, oferecendo aos adolescentes a construção de novas perspectivas e cidadania.
Acessibilidade
O site do TJRR oferece recursos de acessibilidade por meio do sistema Rybená, que facilita a navegação e a compreensão de conteúdos digitais por pessoas com deficiência. Para ativar essas funcionalidades, basta clicar em um dos ícones para utilizar as opções disponíveis no próprio portal.
Texto: Mairon Compagnon - Jornalista
Fotos: NUCRI/TJRR
MAIO/2026 - NUCRI/TJRR


