Debater formas de enfrentamento, prevenção e acolhimento para mulheres vítimas de violência foram os principais pontos tratados na 32ª edição da Semana Justiça pela Paz em Casa em Roraima. A iniciativa segue as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e é coordenada no estado pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR).
Ao longo da semana, foram realizadas ações educativas em escolas, capacitações voltadas a agentes da rede de proteção e palestras destinadas a diferentes públicos, ampliando o debate sobre prevenção da violência de gênero, direitos das mulheres e canais de denúncia.
Além das atividades educativas, também houve o fortalecimento de ações judiciais. Os três Juizados de Violência Doméstica e Familiar realizaram 22 audiências, expediram 39 medidas protetivas e proferiram 95 sentenças em processos relacionados à violência doméstica, ampliando a proteção às mulheres e garantindo maior celeridade das respostas.
Entre as atividades, ocorreu a formação da Guarda Civil Municipal de Mucajaí no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, fortalecendo a atuação dos agentes de segurança no acolhimento e encaminhamento adequado das vítimas.
Também foi realizada a palestra “Sujeito Homem: respeito, masculinidade e parceria”, acompanhada do lançamento da cartilha Sujeito Homem, iniciativa que propõe reflexões sobre o papel masculino na prevenção da violência e na construção de relações baseadas no respeito. O evento ocorreu no auditório do Instituto Federal de Roraima (IFRR).
A juíza titular da Cevid, Suelen Alves, destacou que as ações da semana também buscaram ampliar o debate sobre a prevenção da violência a partir da participação dos homens.
“A gente fala sempre com as mulheres, fala sempre a respeito da violência sob a ótica da mulher, mas também precisamos falar sobre a violência pela ótica do homem. Durante essa semana, temos focado no julgamento das ações, no fortalecimento da rede e também no projeto Maria Vai à Escola, que fala sobre dignidade para as crianças e igualdade de gênero”, afirmou.
Ações educativas
Pensando na importância da sensibilização e do acesso à informação desde cedo, houve o retorno das atividades do projeto Maria Vai à Escola, que dissemina conteúdos educativos sobre igualdade de gênero, direitos humanos e prevenção da violência doméstica.
Na Escola Dalício Faria Filho, o programa retomou as atividades com foco na prevenção da violência. Para o vice-gestor da unidade, Jonilde Lima, a iniciativa tem papel fundamental na abertura do diálogo com os alunos.
“O projeto traz uma abertura para que a criança possa ter conhecimento acerca de assuntos difíceis de serem abordados por demais professores. O projeto faz com que as crianças consigam conversar sobre o tema, assim casos acabam aparecendo, porque a criança se expressa”, destacou.
Também foram realizadas palestras em instituições de ensino da capital, como a Escola Ayrton Senna, além da própria Escola Dalício Faria Filho, com a palestra “Medidas Protetivas: Canais de denúncia e serviços”, e o evento de discussão “8 de Março: Gênero, Violência e Justiça Social”, que teve como enfoque o feminicídio e foi ministrado pela assistente social dos Juizados de Violência Doméstica, Catarina Butel.
O campus do Instituto Federal de Roraima (IFRR) em Bonfim recebeu uma palestra alusiva ao Dia Internacional da Mulher, com alunos e alunas dos cursos técnicos de Administração e Agropecuária. Ministrado pela juíza titular da Comarca do município, Liliane Cardoso, o momento abordou temas como medidas protetivas, canais de denúncia e serviços de apoio às vítimas, além de reflexões sobre violência de gênero e direitos das mulheres.
Encontros institucionais
Durante a programação, também foi realizada uma reunião institucional com a Coordenadora de Prevenção e Resposta à Violência Baseada em Gênero (VBG), Patrícia Ludmila. O encontrou tratou de ações alusivas ao 8 de Março e discutir o apoio às iniciativas desenvolvidas no âmbito do projeto Maria Vai à Escola, fortalecendo a articulação entre as instituições que integram a rede de enfrentamento à violência.
Saúde mental e autonomia feminina
Encerrando a programação, na sexta-feira (13), foi realizada uma palestra sobre saúde mental e emancipação feminina, conduzida pela psicóloga da Cevid, Rayssa Lemos. A atividade promoveu reflexões sobre os impactos emocionais de lidar diariamente com situações de violência e vulnerabilidade.
“O objetivo é conversar com essas mulheres sobre saúde mental dentro do contexto em que vivemos hoje, em que acompanhamos muitas notícias e relatos sobre violência doméstica. A ideia foi trazer reflexões e estratégias para lidar com essas situações e reforçar a importância do cuidado com a saúde mental”, explicou.
Mobilização nacional
Realizada três vezes ao ano em todo o país, a Semana Justiça pela Paz em Casa busca fortalecer as políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres. Em Roraima, a mobilização demonstra o compromisso do Poder Judiciário e das instituições parceiras em ampliar o diálogo com a sociedade e fortalecer a rede de enfrentamento à violência, garantindo que cada vez mais mulheres tenham acesso à proteção, informação e justiça.
Acessibilidade
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Texto: Juliana Soares - Estagiária de Jornalismo / Mairon Compagnon - Jornalista
Fotos: NUCRI/TJRR
MARÇO/2026 - NUCRI/TJRR