
Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o Tribunal de Justiça de Roraima promoveu, no dia 6 de março, o desfile “Entre Linhas e Horizontes” na Cadeia Pública Feminina de Boa Vista. A iniciativa, realizada por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), reuniu moda, aprendizado e atividades voltadas à reintegração social.
O evento teve como destaque um desfile protagonizado por mulheres privadas de liberdade, que apresentaram peças customizadas por elas próprias. As criações são resultado de oficinas realizadas durante o período preparatório, com atividades de reaproveitamento têxtil, costura e design.
Para o supervisor do GMF e vice-presidente do TJRR, desembargador Almiro Padilha, a iniciativa representa uma atuação do Judiciário que vai além das decisões judiciais.
“O Poder Judiciário demonstra empatia e esperança por pessoas que, por um motivo ou por outro, estão cumprindo um período fora da comunidade, ou seja, no sistema prisional. É acreditar que essas pessoas que cometeram algum tipo de delito têm plena possibilidade de se recuperar e voltar a se integrar à sociedade. Essas mulheres que se dedicam a receber roupas doadas pela Receita Federal, reciclar essas peças e devolvê-las a quem precisa são realmente dignas do aplauso da sociedade.”

Segundo ele, o projeto também integra o Plano Pena Justa, no Eixo 3, que trata da saída qualificada da prisão e da reintegração social. A iniciativa reúne ações voltadas à garantia de direitos no sistema penitenciário brasileiro e à promoção de políticas de ressocialização.
Para uma das reeducandas que participou do desfile, a costura abriu novas possibilidades para o futuro. Ela conta que aprendeu a técnica dentro da unidade e pretende levar o conhecimento adiante.
“Para mim está sendo uma ótima novidade, porque eu vim aprender a costurar aqui dentro. Aprendi muito com as monitoras e isso representa uma oportunidade muito grande. Pretendo levar para fora tudo o que estou aprendendo aqui dentro do presídio. Gostei muito da parte da customização, adorei fazer o bordado e as flores.”
A expectativa para o desfile também trouxe emoção para a participante.
“A minha expectativa com o desfile é muito grande, porque é algo inédito para mim e para outras também. É a primeira vez que isso acontece aqui. No meu look, eu gosto muito da customização. Eu mesma fiz as flores à mão, coloquei vários detalhes com pedrarias e escolhi o violeta, porque gostei do roxo.”
Durante o desfile, cada participante apresentou dois trajes produzidos e customizados por elas mesmas: um look casual e outro social, resultado das técnicas aprendidas nas oficinas de reaproveitamento têxtil, costura e design.

As peças utilizadas fazem parte de uma parceria com a Receita Federal e com o projeto Armário Social, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça que promove a arrecadação e a destinação solidária de vestuário, aliando sustentabilidade e inclusão. Ao final das oficinas, as participantes receberam certificados de conclusão, reconhecendo a qualificação adquirida durante o período de preparação.
A capacitação das reeducandas foi realizada em parceria com projetos já desenvolvidos dentro da unidade, como o Costurando Recomeços, que promove atividades de costura e artesanato com as internas. A secretária da Secretaria de Justiça e Cidadania (SEJUC), Michelle Fernandes, destacou que o desfile proporcionou um novo olhar para as participantes ao estimular criatividade, autonomia e novas perspectivas de futuro.
“Receber aqui um evento tão importante neste mês dedicado às mulheres foi um momento especial. Ficou muito claro o quanto essa iniciativa trouxe vida e alegria para todas as participantes. O desfile e a autoprodução das roupas estimulam essas mulheres a pensarem de forma diferente, a sonharem novamente. É isso que buscamos para o sistema prisional.”
O nome “Entre Linhas e Horizontes” traduz a essência da iniciativa. De acordo com Euzilene Magalhães, servidora do GMF, a proposta simboliza as possibilidades que surgem a partir do trabalho e do aprendizado.
“As linhas representam o costurar, o pegar os pedaços e transformar uma peça. Quando você transforma essa peça, abre uma perspectiva, abre um horizonte muito grande. E foi isso que aconteceu aqui. Esse evento representa superação, dedicação e a possibilidade de novos caminhos.”

Mais do que um desfile, a iniciativa demonstra como atividades de aprendizado e inclusão podem ampliar perspectivas e contribuir para novas trajetórias. Cada peça apresentada carregou mais do que tecido: reuniu histórias, dedicação e a possibilidade de recomeçar.
Acessibilidade
O site do TJRR oferece recursos de acessibilidade por meio do sistema Rybená, que facilita a navegação e a compreensão de conteúdos digitais por pessoas com deficiência. Para ativar essas funcionalidades, basta clicar em um dos ícones para utilizar as opções disponíveis no próprio portal.
Texto: Beatriz Evangelista - Jornalista
Fotos: NUCRI/TJRR
MARÇO/2026 - NUCRI/TJRR


